Matéria de Capa

A grande virada

A grande virada profissional

         “Nossa vocação toma conta de nós, mesmo quando não a conhecemos; é o futuro que dita a regra do nosso hoje”. A frase do filosofo alemão Friedrich Nietzsche mostra que seguir a verdadeira vocação é um ato quase inconsciente do homem, em busca de sua realização.

       Neste caminho, existem atalhos, percalços, retornos, mas cada um encontra uma maneira de chegar até lá, onde habita a grande satisfação de se fazer aquilo que se ama.

         Contamos, nesta edição, histórias de pessoas que não se tranquilizaram enquanto não encontraram o trabalho que realmente lhes trouxe brilho no olho. Carol Barroso que leva beleza para empresas e residências através de decoração em papeis de parede; Brigida que após ficar desempregada encontrou o negócio perfeito através da parceria com a criativa irmã Erica; a dentista Gabriela Carvalho que muito cedo descobriu sua paixão trabalhando com moda e o fisioterapeuta Saulo Luciani que não sossegou enquanto não entendeu o homem em sua totalidade.

         Pessoas que nos inspiram a também buscarmos uma vida profissional satisfatória, seja ela em qual área for. Como diz o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, vivemos tempos de “modernidade líquida”; momento histórico em que as ideias e relações se transformam muito rapidamente.

      Vivemos os tempos imprevisíveis e voláteis, em que buscamos, em vão, ter segurança. Isto pode nos angustiar mas também pode nos dar asas para voar nesta liberdade de escolhermos o que desejamos e perseguirmos este sonho…

      No meio de tanta informação e de tantas possibilidades, há um cantinho para nossas realizações pessoas e profissionais, basta abrirmos a mente além de qualquer preconceito e irmos atrás do que realmente nos motiva. Vamos?

 

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Carol Barroso: paixão pela beleza

         Era o ano de 2013. A beleza dominava a Avenida Belo Horizonte, no número 570, no Bairro Brasil, em Itu. O local recebia a Itu Casa Decor, com mostra de arquitetura, decoração e paisagismo. A exposição, naquele ano contou com 44 ambientes em uma área de mais de dois mil metros quadrados.

         O tema foi “O que é luxo para você…”. A jovem Carol Barroso, que trabalhava como vendedora em uma loja de iluminação, adentrou aquele ambiente e ficou encantada. A beleza dos locais decorados, do paisagismo, dos móveis e, principalmente, da decoração, mexeu com sua sensibilidade.

         E não há maior luxo do que trabalhar com o que se ama. Naquele momento ela, formada em Marketing e Propaganda, pensou que deveria dar uma guinada em sua carreira.

         Determinada, já trabalhava como vendedora desde os 16 anos, com o pai, em uma loja de tintas. Depois, trabalhou em uma loja de iluminação, onde a beleza de decorar ambientes conquistou e ela resolveu se aprimorar.

         A Arquitec – Escola de Arte e Design, em Campinas, foi o local escolhido para estudar e entender melhor tudo aquilo que lhe encantava, para também encantar outros com o seu trabalho. “Até então, eu não tinha noção nenhuma de nada”.

         Em 2014, realizou um grande passo na sua vida pessoal: casou-se com Leonardo, proprietário da Léo Tintas. O relacionamento se aliou à sua vida profissional, pois o parceiro amoroso também se tornou o seu companheiro profissional.

         Na empresa, usava sua experiência no ramo de vendas e cuidava do financeiro. O grande pulo ocorreu em 2015, quando implantou na loja o setor de papeis de paredes.

         O dom de transformar ambientes, deixando-os belos e personalizados, passou então a ser o grande prazer de Carol. “Desde então, realizei muitos trabalhos dos quais me orgulho. Recentemente, fiz duas lojas da Doogs, de hot dogs, em São Paulo. Outro trabalho foi na casa do Pezão, dono do restaurante de Indaiatuba”.

         Para fazer o seu trabalho da melhor maneira, ela recebe os seus clientes, realiza um questionário, faz visitas ao ambiente a ser trabalhado, ver condições da parede que vai ser transformada e depois é projetada em 3D, para o cliente visualizar como ficará o local após as mudanças estéticas.

         Carol destaca que um trabalho que a encanta são decorações de quartos de bebês. “Adoro montar tudo, colocar o papel de parede temático, o berço, pensar em cada detalhe e deixar tudo preparado”, conta ela, que com figuras, texturas, impressões e cores aprendeu que a vida também fica mais bonita quando trabalhamos com o que nos motiva a ser melhor.

 

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Brigida e Érica Almeron: parceria e amizade

         Brigida chegou para trabalhar disposta a se dedicar 100% ao mundo corporativo do qual fazia parte. Havia hora para entrar, mas não para sair. “O meu marido, Everton, havia colado uma foto minha na geladeira e dizia que era para lembrar que eu morava ali”, lembra.

         Com dois filhos, hoje com 13 e 7 anos, respectivamente Pedro e Julia, ela tentava conciliar tudo enquanto focava na carreira. Formada em Sistemas de Informações Gerenciais e há oito anos na cervejaria Schincariol, já havia feito um pouco de tudo na empresa e sua dedicação era extrema. “Ela mal ficava em casa”, lembra sua irmã, Erica.

         Por ser uma pessoa extremamente responsável e pró-ativa, a decepção foi grande quando veio a notícia: havia sido desligada da empresa. Ficou sem chão. Ligou para a irmã, que trabalhava em um cartório. O que fazer? Para onde ir? E agora? Onde havia errado?

         As respostas não viriam rapidamente. Mas após algum tempo começou a pensar em uma solução para voltar à ativa. “Eu não queria mais o mundo corporativo pois é muito exaustivo”, recorda. Que tal venda de semijoias? A iniciativa começou tímida, entre pessoas mais próximas. Os primeiros acessórios foram vendidos, claro, para a irmã e melhor amiga.

         O negócio foi crescendo e Érica, que ainda trabalhava há 17 anos como escrevente, foi se envolvendo cada vez mais na atividade da irmã, revendendo para as colegas de trabalho. Casada com Everton e mãe de Lucas, 10 anos, e Giovanna, 5 anos, os encontros familiares passaram a ser também reuniões de negócios, que muitas vezes se estendiam madrugada a dentro.

         “Eu gostava do meu trabalho, era bem remunerada, mas não havia mais nenhum desafio, para onde ir. E foi, inicialmente, ajudando a minha irmã, que eu descobri todo o talento que tenho para a área de marketing. Era um potencial que eu desconhecia”, conta Érica.

         A parceria das irmãs se tornou uma sociedade profissional há três anos, quando elas lançaram oficialmente a loja Lokas & Dondocas. O nome não foi por acaso: “Eu sou a louca, ela a dondoca”, conta, entre risos, Érica.

         A diferença entre a aquariana e a virginiana Brigida são detalhes que se somam e fazem o sucesso do negócio, de quem nem pensava em sair do mundo corporativo ou de um rendoso e seguro trabalho cartorário.

         “Quando criança, eu queria ser médica, cheguei a estudar fisioterapia”, conta Brigida. “Eu comecei a estudar hotelaria, mas sempre desejei trabalhar com moda”, lembra Erica.

         Elas recordam que nem tudo foram flores. “Apanhamos muito pois não éramos da área. Foi todo um aprendizado em um setor diferente, mas conseguimos inovar com eventos; festas com música e gastronomia, que tornaram a nossa loja uma referência para nossas clientes. Às vezes elas vão lá apenas para tomar um café, conversar. Isto é muito gratificante e mostra que tomamos o rumo certo”, contam, com muita sintonia e simpatia.

 

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Gabriela Boff: realização pessoal

         Na Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas, a turma do último ano de Odontologia assistia mais uma aula. Enquanto o professor explicava a matéria, Gabriela tentava prestar atenção enquanto respondia amigas e clientes nas redes sociais. O trabalho de revender roupas para colegas da classe, majoritariamente feminina, havia dado muito certo e se espalhado por toda a faculdade, e até outras universidades.

         “Muitas tiravam sarro, me chamavam de “sacoleira’, mas eu nunca me importei. Eu sempre gostei muito de fazer isto, pois eu sempre adorei me vestir bem, sem gastar muito, de ter várias peças, e tudo começou assim: todo mundo vinha perguntar onde eu havia comprado essa ou aquela peça. Comecei trazendo para as amigas mais próximas e o negócio cresceu muito rápido”, lembra.

         Em um domingo à noite, resolveu criar a sua marca. “Criei logo com um aplicativo de celular mesmo, abri uma conta no Instagram e pedi dois mil reais emprestado para o meu pai. Faltei na faculdade para ir fazer compras em São Paulo, na segunda, e na terça, na faculdade, eu já vendi quase tudo e pude devolver o empréstimo”, lembra, orgulhosa de si mesma.

         No início deste ano, com o diploma em mãos, começou a carreira de dentista. Havia sido um sufoco concluir o Trabalho de Conclusão de Curso e cuidar das vendas, mas ela havia conseguido conciliar. Em fevereiro, uma viagem para o exterior fez com que ela refletisse sobre seus objetivos profissionais. “Todo mundo me chamava, perguntando sobre as roupas”.

         Ao retornar, decidiu que era hora de tomar uma difícil decisão. “Eu gosto da Odontologia, mas o início de carreira é difícil. Fui conversar com os meus pais sobre a minha decisão e fiz até planilhas financeiras mostrando que era vantajosa a minha mudança”, diz.

         A recepção não poderia ter sido melhor. “Nem precisei falar nada, meu pai já sabia o que era e me apoiou totalmente. Disse que era um grande privilégio eu já saber o que queria com 25 anos, pois não queria me ver com 50 sem estar realizada, arrependida por algo que não fiz. E que havia percebido que ”.

         Ela inaugurou no dia 11 de agosto a Boutique La Musique, no Unicenter, e lembra que para chegar a esta grande realização pessoal foi determinada e um pouquinho “surda’. “Eu já tinha dinheiro guardado para isto, me orgulho de ter pago tudo sozinha. Foram muitas as pessoas que me disseram para não abrir a loja, diziam que não ia dar certo, foram muitas as críticas, mas estou muito feliz, me sinto muito realizada”.

 

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Saulo Luciani: desenvolvimento da consciência humana

         Saulo assistia a palestra do cientista norte-americano Bruce Lipton. As informações instigavam aquele profissional formado em fisioterapia que fazia pós-graduação em Osteopatia. As informações recebidas nas cadeiras acadêmicas não satisfizeram a sua curiosidade sobre o ser humano como um ser completo e complexo.

         Lipton é o autor de A biologia da crença, é um dos pioneiros de uma nova área de estudos denominada ‘Nova Biologia’, que traça um paralelo entre os organismos biológicos, o meio ambiente, o pensamento, as percepções e até o subconsciente.

         “Eu buscava a ligação entre corpo mental e físico e energético. Hoje a física quântica já fez experimentos científicos que comprovam esta última parte. Eu estudei ativismo quântico Amit Goswami que vem para o Brasil anualmente. Também fui estudar a espiritualidade”, explica Saulo.

         Formado em Fisioterapia, na Unimep, de Piracacicaba, em 2016, e em Osteopatia, na escola de Osteopatia de Madri, no campus de Campinas, em 2012, ele lembra sua trajetória profissional. “Quando eu me formei fisioterapeuta, eu tinha alguns trabalhos autônomos e uma empresa de ginastica laboral em empresas da cidade. Abri uma clínica com uma cliente e depois abri a minha própria clínica. Na época, não sabia, mas eu já estava trilhando esta caminhada, em busca de um direcionamento mais claro e mais amplo”.

         Ele recorda que o encanto pelo cuidar e pela busca pela cura começou na infância. “Eu era atleta e me machuquei, então precisei do trabalho de fisioterapia. Após algumas sessões, eu me recuperei rapidamente e me encantei com aquilo”.

Apesar de gostar de estudar o corpo humano, ele sentia que isto não era suficiente. “Eu fui para a ostopatia por ser uma forma muito eficaz de cura. Uma verdade que eu busco dentro de mim: como se realiza a cura? O que causa a doença e o desiquilibro? É preciso interferir nas causas e não nos sintomas. Sempre fui muito questionador…”

         E suas indagações o levaram em busca de si mesmo para entender o outro. “Eu fui querer entender o que que causava de verdade a dor, como o ser humano funcionava. Estudei psicologia, energia do povo oriental, religiões, pois elas são o alicerce de uma pessoa. E hoje é muito comum o trabalho do despertar de consciência. Era necessidade do meu ser, aqueles diplomas não eram suficientes. Fiz retiros de meditação, de dez dias cada, ficando dez horas meditando. Em 2014 eu tive que tomar uma decisão na minha carreira: eu não sou mais osteopata, eu nunca fui fisioterapeuta de verdade. Tive que abandonar este nome, no meu cartão não tem mais. O que me fazia feliz era uma busca que para o meu entendimento é muito amor”, explica.

         “A terapia que eu acabei desenvolvendo com toda esta caminhada, é um entendimento de tudo que uma pessoa é. Quem realiza a cura é cada um em si mesmo”, diz ele, que atualmente trabalha ao lado de sua companheira Priscila Gongorra. “Abri uma empresa que trabalha com cursos nessa área, se chama Heart Healing – Cura do Coração. Nós entendemos que o que pode mudar você é uma ligação com a verdade de quem você é. Você precisa despertar, se sentir, se perceber…”

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