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Terapia por ondas de choque: uma excelente alternativa no tratamento de lesões esportivas

Quando o indivíduo treina, existe sempre um certo grau de destruição tecidual que, logo em seguida, durante o período de repouso (ou regenerativo) é compensado por produção de matriz extra celular. Em outras palavras, durante o repouso, o organismo refaz os tecidos de maneira que se tornem mais fortes: tendões, músculos e ossos preparando-o cada vez mais para o esporte que que que o atleta pratica.

Para que este ciclo de destruição/reconstrução seja convertido em ganho de performance, deve haver equilíbrio, que é chamado em medicina esportiva de super-compensação. Porém, quando existe desequilíbrio e a destruição é maior, pode-se desenvolver lesões.

Quando se fala em avaliação médica pré-participativa para o esporte, o consenso mundial é de que o atleta deve realizar uma avaliação funcional e fisiológica seguida de um preparo físico direcionado ao esporte que deseja praticar e, durante sua prática esportiva, o aumento da frequência e do volume devem ser sempre graduais.

Uma vez originada uma lesão por overuse, sabe-se alguns tecidos do aparelho locomotor possuem certa dificuldade de cicatrização gerando lesões muitas vezes avasculares (com pouca circulação) e portanto com pouca resposta ao uso de antiinflamatórios e recursos da fisioterapia como a aplicação local de laser, ultrassom e correntes elétricas (TENS). Os exemplos clássicos são a tendinite patelar, epicondilites do cotovelo e a fasceite.

Historicamente, existiu sempre um esforço muito grande da ciência em cicatrizar estas lesões para acelerar o retorno do individuo ao esporte, levando procedimentos invasivos como a tradicional infiltração com corticóides, e a procedimentos cirúrgicos, alguns com excelentes resultados e outros discutidos pela literatura.

A partir da década de 90, o avanço tecnológico representado pelo tratamento por ondas de choque como a “quebra” de cálculos renais chegou à ortopedia. A ideia é estimular o processo de cura biológica em tendões, tecidos circunvizinhos e ossos.

Apesar dos resultados extremamente favoráveis para a cura das lesões, até o momento, existe controvérsia quanto ao mecanismo exato de seu funcionamento . Há duas teorias básicas que explicam seu efeito benéfico no sistema musculoesquelético. Uma baseia-se em micro lesões que as ondas provocam no tecido-alvo (tendões, periósteo, osso esponjoso), sem danificar os tecidos adjacentes. Estas micro lesões serão estímulo inicial para o processo de reparação.

Uma segunda teoria baseia-se na produção de óxido nítrico na área atingida pelas ondas de choque. Este óxido nítrico produzido desencadeia uma reação enzimática que estimula o crescimento vascular na área atingida.

Na última década, sua utilização em medicina esportiva se popularizou por beneficiar os atletas que não querem ou possuem contra- indicação a procedimentos invasivos e que não melhoraram pela reabilitação tradicional.

No Brasil, procedimento possui registro na ANVISA e tem indicação para:

– Fasceíte Plantar com ou sem Esporão;

– Pseudoartrose (Fraturas Não Consolidadas) ou retardo da consolidação;

– Calcificações periarticulares dos ombros (Tendinite Calcárea);

– Epicondilite lateral e epicondilite medial umeral (Cotovelo de Tenista e Golfista).

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As contra-indicações incluem:

– Anormalidades na coagulação sanguínea (coagulopatias);

– Gravidez;

– Infecção aguda de tecido mole ou osso;

– Arritmias cardíacas ou uso de marca-passo;

– Epiliepsia.

Os estudos publicados na ultima década apontam um índice de eficácia de 70 a 85% dos casos, incluindo alguns atletas que tiveram indicação prévia de tratamento cirúrgico.

Como é realizada?

Em média, são necessárias de 3 a 5 três sessões com intervalo de uma semana entre elas de duração media de 15 a 20 minutos. O aparelho é direcionado ao foco da lesão e os disparos são aplicados. Em alguns casos, pode-se sentir um certo desconforto, sendo este apenas momentâneo.

A terapia de ondas de choque, alem de auxiliar na cura destas lesoes por overuse cronicas trouxe à comunidade cientifica melhor conhecimento dos mecanismos biológicos do reparo tecidual e, sem duvida sera sempre alvo de pesquisas, junto a outras terapias como as celulas-tronco e o transplante de tecidos como cartilagem e tendões.


Importante: O conteúdo deste artigo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnósticos de lesões e opções de tratamento variam de pessoa para pessoa e dependem de fatores como sexo, idade, ocupação, etc, e portanto não devem ser generalizados. Consulte sempre seu médico. As informações deste site não devem ser utilizadas para auto-diagnóstico ou auto-tratamento.


Dr. Renato João Reis – CRM 82754 Médico Ortopedista – Traumatologista com formação e especialização em ortopedia e traumatologia nos Hospitais Dr. Mario Gatti e Hosp. Vera Cruz, durante sua formação e especialização fez também estágio no Hospital da AACD (Associação de Assistência a Criança Deficiente) na cidade de São Paulo. É Membro da SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia), da SBRATE (Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte), do Grupo de Estudo do Joelho de Campinas e da SBTOC (Sociedade Brasileira de Terapia por Ondas de Choque – Clínica da Dor).

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